Os resultados das análises genéticas foram publicados no Journal of the American Medical Association e anunciados aos 16 de fevereiro de 2010 numa conferência de imprensa no Museu Egípcio, no Cairo, por Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo das Antiguidades egípcias.
Havia grande expectativa quanto aos resultados dos testes de DNA feitos à múmia do jovem faraó e de outras, incluindo dois fetos encontrados que se supunha serem filhas de Tutankhamon e da sua mulher Ankhesenamon.
Uma das ambições dos peritos era saber quem foram os pais de Tutankhamon. Supunha-se, embora sem certezas até agora, que o pai era Akhenaton, o “herege” que instaurou o culto do deus Aton, numa tentativa (falhada) de estabelecer o culto a um deus único (ou pelo menos dominante, dado que a questão do monoteísmo neste período continua pouco clara).
Este tipo de incesto não era raro na época. Luís Manuel de Araújo lembra que hoje se acredita que “os dois jovens herdeiros de Akhenaton que vieram a reinar no Egipto entre cerca de 1335 e 1325, Tutankhamon e Ankhesenamon, seriam meios-irmãos: ele filho de Akhenaton e da dama Kia [hipótese não confirmada], ela filha de Akhenaton e de Nefertiti”. Esta consanguinidade poderia justificar os dois fetos encontrados no túmulo de Tutankhamon – os dois meios-irmãos não terão conseguido gerar descendência.
A opção gerou grande polêmica e depois da sua morte houveram várias tentativas para apagar da história este período. Sabe-se que Tutankhamon, que teria subido ao trono com apenas nove anos e teria governado durante outros nove (restaurando a antiga religião politeísta e a antiga capital, Memphis), foi seu sucessor, embora possa ter havido entre os dois um breve período em que o Egito foi governado por uma figura sobre a qual se sabe muito pouco: Smenkhkare.
Os exames feitos às múmias permitiram ainda acabar com a idéia de que tanto Akhenaton como Tutankhamon sofreriam de uma alteração genética que lhes daria características femininas, entre as quais seios e ancas largas com que são muitas vezes representados nas gravuras. Não foi encontrado nada que levasse a pensar que os dois faraós sofriam desse problema. Hawass conclui por isso que eram motivos religiosos que levavam a que fossem representados com traços femininos, como deuses que não eram nem homem nem mulher.
A identidade da mãe do rei Tut tem sido outro mistério. Uma das teses mais aliciantes é a de que seria Nefertiti, a Grande Esposa Real de Akhenaton, célebre pela sua beleza – que conhecemos sobretudo pelo busto que se encontra no Neues Museum, em Berlim –, mas cuja múmia não foi até hoje encontrada, o que impede que sejam feitas comparações de DNA. Mas vários historiadores admitem que a mãe fosse outra mulher de Akhenaton, Kia.
E se se tivesse concluído que Tutankhamon não era filho de Akhenaton, isso teria mudado alguma coisa? Nada de especial, acredita Luís Manuel de Araújo. Saber quem são os pais do faraó-menino é “uma questão que interessará à egiptologia, mas interessa sobretudo para satisfazer a curiosidade do grande público”.
Mas o egiptólogo não tem dúvidas de que essa “paixão que as pessoas sentem pelo Egito deve ser respeitada, facultando resposta para estas e outras dúvidas porventura mais candentes”.
* Fonte:
http://www.publico.pt/Cultura/tutankhamon-um-farao-fragil-que-nao-era-filho-de-nefertiti
por Alexandra Prado Coelho


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