terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tutankhamon não era filho de Nefertiti

Um dos mistérios que cercam este faraó ficou resolvido aos 16 de fevereiro de 2010: o pai de Tutankhamon, o mais mediático de todos os faraós do antigo Egito, foi Akhenaton, seu antecessor no trono, conhecido como o “faraó herege”. Mas há outro que perdura: quem terá sido a mãe do rei Tut? A única coisa que os investigadores que durante um ano e meio estudaram o DNA de onze múmias egípcias concluíram foi que a célebre rainha Nefertiti, mulher de Akhenaton, não pode ter sido a mãe do jovem faraó.

Os resultados das análises genéticas foram publicados no Journal of the American Medical Association e anunciados aos 16 de fevereiro de 2010 numa conferência de imprensa no Museu Egípcio, no Cairo, por Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo das Antiguidades egípcias.
 Uma das principais conclusões foi a de que Tutankhamon sofria de osteonecrose, uma doença que priva os ossos de circulação sanguínea, e que era, provavelmente, bastante dolorosa. No entanto, a causa da morte, aos 19 anos, terá sido o malária (foi encontrado na múmia o parasita Plasmodium falciparum, que causa o paludismo). Além disso, o faraó tinha um pé torto, o que explicaria a grande quantidade de bengalas encontradas no seu túmulo, e tinha uma grave fractura numa das pernas. Fica assim afastada a hipótese, admitida por alguns investigadores, de ter sido assassinado na sequência de uma intriga palaciana.

Havia grande expectativa quanto aos resultados dos testes de DNA feitos à múmia do jovem faraó e de outras, incluindo dois fetos encontrados que se supunha serem filhas de Tutankhamon e da sua mulher Ankhesenamon.

Uma das ambições dos peritos era saber quem foram os pais de Tutankhamon. Supunha-se, embora sem certezas até agora, que o pai era Akhenaton, o “herege” que instaurou o culto do deus Aton, numa tentativa (falhada) de estabelecer o culto a um deus único (ou pelo menos dominante, dado que a questão do monoteísmo neste período continua pouco clara).

- Uma família complexa

Este tipo de incesto não era raro na época. Luís Manuel de Araújo lembra que hoje se acredita que “os dois jovens herdeiros de Akhenaton que vieram a reinar no Egipto entre cerca de 1335 e 1325, Tutankhamon e Ankhesenamon, seriam meios-irmãos: ele filho de Akhenaton e da dama Kia [hipótese não confirmada], ela filha de Akhenaton e de Nefertiti”. Esta consanguinidade poderia justificar os dois fetos encontrados no túmulo de Tutankhamon – os dois meios-irmãos não terão conseguido gerar descendência.
Esta complexa família viveu durante aquele que ficou conhecido como o período Amarna, na segunda metade da décima oitava dinastia egípcia. Amenhotep IV quis fazer uma ruptura total com o passado: instituiu o culto do deus-sol Aton, mudou o seu nome para Akhenaton e transferiu a residência real para Akhetaton (Horizonte de Aton), local hoje conhecido como Amarna.

A opção gerou grande polêmica e depois da sua morte houveram várias tentativas para apagar da história este período. Sabe-se que Tutankhamon, que teria subido ao trono com apenas nove anos e teria governado durante outros nove (restaurando a antiga religião politeísta e a antiga capital, Memphis), foi seu sucessor, embora possa ter havido entre os dois um breve período em que o Egito foi governado por uma figura sobre a qual se sabe muito pouco: Smenkhkare.

Os exames feitos às múmias permitiram ainda acabar com a idéia de que tanto Akhenaton como Tutankhamon sofreriam de uma alteração genética que lhes daria características femininas, entre as quais seios e ancas largas com que são muitas vezes representados nas gravuras. Não foi encontrado nada que levasse a pensar que os dois faraós sofriam desse problema. Hawass conclui por isso que eram motivos religiosos que levavam a que fossem representados com traços femininos, como deuses que não eram nem homem nem mulher.

A identidade da mãe do rei Tut tem sido outro mistério. Uma das teses mais aliciantes é a de que seria Nefertiti, a Grande Esposa Real de Akhenaton, célebre pela sua beleza – que conhecemos sobretudo pelo busto que se encontra no Neues Museum, em Berlim –, mas cuja múmia não foi até hoje encontrada, o que impede que sejam feitas comparações de DN
A. Mas vários historiadores admitem que a mãe fosse outra mulher de Akhenaton, Kia.
O egiptólogo Luís Manuel de Araújo, do Instituto Oriental da Faculdade de Letras de Lisboa, explicou ao jornal Público, ainda antes do anúncio das conclusões, que era pouco provável que Nefertiti fosse a mãe de Tutankhamon. “Se fosse ela, o jovem príncipe estaria representado nas imagens que bem conhecemos da família real, onde apenas figuram Akhenaton, Nefertiti e as seis filhas do casal. No caso de eles terem tido um filho, sem dúvida que ele figuraria com grande destaque nas imagens.”
A equipe liderada por Hawass considera agora provável que Tutankhamon seja filho de uma múmia não identificada conhecida apenas pelo código KV35YL e à qual chamam Jovem Dama. “Não sabemos o nome dela”, afirmou o arqueólogo egípcio, mas o mais importante é que ela é filha de Amenhotep III” e da mulher deste, a rainha Tiy, pais de Akhenaton. A confirmar-se esta hipótese, isso significaria que o jovem faraó foi fruto da união de dois irmãos, o que ajudaria a explicar a sua saúde débil.

E se se tivesse concluído que Tutankhamon não era filho de Akhenaton, isso teria mudado alguma coisa? Nada de especial, acredita Luís Manuel de Araújo. Saber quem são os pais do faraó-menino é “uma questão que interessará à egiptologia, mas interessa sobretudo para satisfazer a curiosidade do grande público”.

Mas o egiptólogo não tem dúvidas de que essa “paixão que as pessoas sentem pelo Egito deve ser respeitada, facultando resposta para estas e outras dúvidas porventura mais candentes”
.

* Fonte:
http://www.publico.pt/Cultura/tutankhamon-um-farao-fragil-que-nao-era-filho-de-nefertiti
por Alexandra Prado Coelho

A padaria mais antiga do mundo


Encontrada a padaria mais antiga do mundo.
Foi notícia no site do Terra aos 18 de agosto de 2002: Padaria mais antiga do mundo descoberta no Egito.

Datada de 3.000 a.C., foram encontrados em Gizé restos de uma padaria utilizada para o fabrico do pão-do-sol, feito até os dias atuais.

A equipe do arqueólogo americano Mark Lener em matéria na United Press International, informou que foram encontradas bandejas e ferramentas para fermentar a massa e descansá-la, bem como, armários para armazenar os grãos, além de tinas para comportar o levedo de cerveja que entrava no fabrico dealguns dentre os 12 tipos de pães fabricados naquela época.

Interessante? Pois bem, há 3.500 anos um pão fresquinho já fazia parte do costume da dieta diária, e mais recentemente, aos 25 de agosto de 2010, arqueólogos divulgaram a descoberta de padarias capazes de alimentar exércitos, na região do oásis de El-Kharga, no oeste do Egito. Uma equipe de pesquisadores do próprio país e dos Estados Unidos esbarraram nos resquícios do que parece ser uma cidade especializada na produção de pães. A equipe estava mapeando rotas históricas no deserto egípcio como parte de outro projeto, quando encontrou os indícios da padaria.

Com uma área de 250.000 metros quadrados, equivalente a 30 campos de futebol, a cidade existiu provavelmente entre os anos de 1650 e 1550 a.C. De acordo com John Coleman Darnell, que chefiou a missão americana, há indícios de que o sítio arqueológico era um centro administrativo ao longo de rotas de caravanas, que ligavam o vale do rio Nilo ao oásis, chegando até o Sudão, maior país da África atual.

Os pesquisadores revelaram estruturas de cerâmica parecidas com prédios administrativos encontrados anteriormente em muitos outros lugares ao longo do vale do rio Nilo. Contudo, as características mais interessantes, na opinião dos pesquisadores, foram os restos de uma padaria. "A produção de pães em larga escala era a principal ocupação da maioria dos habitantes da pequena cidade", disse Zahi Hawass, o chefe do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito.

Além das estruturas em cerâmica, os arqueólogos encontraram dois fornos e uma roda de oleiro, utilizada para produzir as formas de pão. A grande quantidade de detritos na parte de fora da "padaria" sugere que a cidade produzia grandes quantidades de pão suficientes para alimentar um exército, disse Hawass.
 

*A notícia foi divulgada através do site do Terra, em 18 de agosto de 2002 e pelo site da revista Veja n line em 2010.
Maiores informações podem ser obtidas através de consulta no Google sob verbete: padarias.